SARESP EM REVISTA
Na edição do SARESP 2019, as provas aplicadas para a avaliação dos alunos de 2º ano do Ensino Fundamental guardam estreita relação com a prova do 3º ano do Ensino Fundamental. É importante esse registro, e, dentre as razões que o justificam, está o fato da definição da meta de alfabetização aos 7 anos na educação pública estadual paulista.

Dessa forma, as provas do SARESP aplicadas ao 2º ano do Ensino Fundamental, em 2019, são compostas por questões de resposta construída pelo aluno e visam aferir, particularmente, as habilidades voltadas à aquisição do sistema de escrita (questões de 1 a 6).

Dentre essas questões, da prova do 2º ano, destaca-se o item 3 que permite avaliar: como o aluno compreende o sistema de escrita e se escreve de forma segmentada uma frase em palavras, no caso: “De grão em grão a galinha enche o papo”.


O que o aluno fez?



Observa-se que a criança ainda não apresenta totalmente a grafia convencional, embora escreva com correspondência sonora alfabética. Comete erros ortográficos, comuns nessa fase da alfabetização (“enxe”; “u”; “papu”...). Também se nota que apresenta problemas de hipossegmentação e hipersegmentação, escrevendo palavras juntas “emgão”, ou separadas “ga linha”. Mesmo que os alunos conheçam o sistema de escrita e muitas de suas regras, é normal que, uma parte deles lance mão da hipersegmentação ou da hipossegmentação, no processo de alfabetização.


Mas, o que fazer para esse aluno avançar?
No que se refere ao trabalho pedagógico voltado à aquisição do sistema de escrita merece destaque:
  • As crianças precisam ter um repertório de escritas estáveis para que possam consultar, em situações de leitura e escrita, como, por exemplo, seu nome e dos colegas, listas de nomes de personagens de contos, de jornais, dentre outras. Ler e escrever também são conhecimentos procedimentais, por isso, é necessário fazer muitas atividades durante todo o processo de aquisição do sistema.
  • É preciso garantir, cotidianamente, atividades permanentes1 de escrita: escrita de textos que os alunos sabem de cor; reescrita de textos ou partes deles (individual ou em dupla); Escrita de uma adivinha a partir das respostas; escrita de listas de palavras de um mesmo campo semântico (nomes das crianças, brincadeiras, brinquedos, animais, frutas, material escolar, partes do corpo, compras a serem feitas etc), de preferência a partir de outras propostas realizadas ou de acontecimentos do cotidiano; escrita em dupla de bilhetes, recados, avisos.
  • Nas situações de leitura, os alunos também precisam refletir sobre o funcionamento da escrita, por meio de atividades2 como: Ordenação de textos que sabe de cor; Adivinhas acompanhadas de lista de palavras com as respostas; Ditado cantado (encontrar palavras definidas pelo professor em textos poéticos e narrativos); Listas compostas por palavras de um mesmo campo semântico (frutas, brincadeiras, títulos de histórias etc.) onde as crianças precisem encontrar a palavra solicitada pelo professor ; Pareamento entre trechos de histórias e seu títulos.
  • É preciso organizar as atividades de escrita com desafios possíveis, de modo que os alunos possam refletir sobre o sistema, buscar as regularidades e avançar na aprendizagem. Isso é possível garantindo os agrupamentos produtivos, por exemplo, viabilizando parceiros com escrita silábica para os alunos com hipóteses de escrita pressilábica.

No que se refere ao trabalho com a segmentação (hipossegmentação e hipersegmentação), apontamos algumas pistas de trabalho que podem contribuir para que os alunos avancem em suas aprendizagens.

Pistas de trabalho 1º passo  Escolha parlendas, poemas, quadrinhas e canções conhecidos pelos alunos. O ideal é escolher um que eles tenham memorizado. Distribua uma cópia desse texto para cada criança e apresente o seguinte: " Transcreva-a fazendo a separação que considerar necessária." A sugestão é que as crianças transcrevam o texto individualmente.

HOJEÉDOMINGO
PEDECACHIMBO
OCACHIMBOÉDEBARRO
BATENOJARRO

OJARROÉDEOURO
BATENOTOURO
OTOUROÉVALENTE
BATENAGENTE

AGENTEÉFRACO
CAINOBURACO
OBURACOÉFUNDO
ACABOUSEOMUNDO


2º passo  Quando os alunos acabarem a transcrição, peça que contem quantas palavras há no texto e socialize os resultados. Os que apresentarem resultados diferentes precisam se dirigir ao quadro e escrever alguns versos. Solicite, também, que um deles escreva o primeiro verso e pergunte se todos concordam ou se alguém escreveu de forma diferente. Caso alguém tenha escrito separando ou juntando as palavras de outro jeito, pergunte como fez e, em seguida, discuta com o grupo qual forma todos consideram a correta. O objetivo nesse momento é discutir como as crianças separaram as palavras e propor que justifiquem suas escolhas. Convide as que costumam hipersegmentar (separar o que deve ser escrito junto, por exemplo, “BA TE”) ou hipossegmentar (escrever junto o que é separado, como “DEOURO”) para redigir os outros versos no quadro. Geralmente há bons problemas a resolver quando uma criança que costuma juntar demais precisa justificar sua escrita para um colega que costuma separar demais.


3º passo 
Depois que todos os versos estiverem escritos no quadro, confira com os alunos quantas palavras há no texto. Peça que quem tiver um resultado diferente realize a correção em sua cópia.


Registro
É recomendável que o professor registre suas observações sobre a participação dos alunos. Quais foram os que escreveram usando a separação convencional entre as palavras? Quais escreveram hipossegmentando e hipersegmentando? Eventualmente, alguém escreveu continuamente sem realizar nenhuma separação entre as palavras? Da mesma forma, é importante que anote como os estudantes justificaram as escritas e quais foram as intervenções mais importantes para que refletissem sobre a separação entre as palavras. Essas observações são fundamentais para o planejamento das atividades futuras.

1. SOLIGO, Rosaura e outros. “Atividades Permanentes de Alfabetização” In: Para aprender a Ler e escrever. Produzido pelo Instituto Abapuru e publicado em parceria pela Secretaria Estadual de Educação do Acre e pela Secretaria Municipal da Educação de Rio Branco em 2008.
2. Idem.






Na edição do SARESP 2019, as provas aplicadas para a avaliação dos alunos de 2º ano do Ensino Fundamental guardam estreita relação com a prova do 3º ano do Ensino Fundamental. É importante esse registro, e, dentre as razões que o justificam, está o fato de que se espera fortalecer o aprendizado da matemática, ao longo desses anos, de modo que os alunos, ao final do 3º ano de escolaridade regular, demonstrem capacidades referentes aos números, operações, espaço e forma, grandezas e medidas e tratamento da informação.

Dessa forma, as provas do SARESP aplicadas ao 2º ano do Ensino Fundamental, em 2019, são compostas por questões de resposta construída pelo aluno e visam aferir, particularmente, as habilidades voltadas aos números e operações.

Dentre essas questões, da prova do 2º ano, destaca-se o item 1 que permite avaliar a produção de escritas numéricas a partir de um ditado.


O que o aluno fez?



Nesta questão, os números ditados foram: 19, 27, 50, 72, 136. Observa-se que a criança se apoiou na numeração falada para registrar os números 19, 27 e 136. Nessas hipóteses, a criança escreve os números de forma não convencional, usam a justaposição de escritas para escrever os números. Por exemplo: Ao ser ditado o número 136, o aluno escreve 100306, porque entende que primeiro é necessário escrever o número 100, depois 30 e depois 6. As crianças também acreditam que quanto maior é a quantidade de algarismos, maior é o número.

Por esse pretexto, o ditado de números pelo professor é um instrumento de investigação, em relação à aprendizagem do aluno para avaliar o que este já sabe e o que precisa ainda saber. Ele possibilita ao professor pensar acerca dos conhecimentos prévios dos alunos – construídos dentro e fora do ambiente escolar – e sobre as hipóteses que estabelecem a respeito de conceitos e procedimentos matemáticos.


Mas, o que fazer para esse aluno avançar?

Para que os alunos avancem no sistema de numeração decimal (SND) ao longo da vida escolar, Kátia Smole (2001)1 indica alguns cuidados a tomar:
  1. Dê aos estudantes a oportunidade de formular hipóteses, ou seja, produzir escritas numéricas, estabelecer comparações entre essas escritas e apoiar-se nelas para resolver problemas e operações. Um bom caminho é deixá-los testar essas hipóteses antes de apresentar as técnicas operatórias convencionais; Assim como se busca um ambiente alfabetizador para o ensino da leitura e da escrita, o ideal é montar um ambiente aritmetizador na classe. Como? Deixando à disposição cartazes, quadros, calendários, gráficos, relógios e todo tipo de informação visual que estimule o pensamento numérico. Assim, todos perceberão onde e como o sistema de numeração é utilizado.
  2. Evite metas rígidas (tais como estabelecer que na 1ª série se aprende apenas até 99, na 2ª, até 999 e assim por diante). Sabe-se que os estudantes usam os chamados números grandes desde muito cedo e em diferentes situações do cotidiano. No momento atual, o que se pode observar é a existência de um razoável consenso em torno de uma dupla exigência que se coloca para o trabalho com números a ser feito em sala de aula:
  3. Uma delas é partir do que os alunos já sabem, identificando-se que conhecimentos eles têm a propósito dos números, como os utilizam, com que eficácia, que dificuldades suas práticas revelam;
  4.  A outra delas é favorecer situações que dão sentido aos números, ou seja, o que os alunos podem mobilizar como instrumentos eficazes para resolver problemas. Para isso, é importante, em primeiro lugar, que nós, professores, explicitemos nossas próprias concepções a respeito dos números naturais, buscando responder a perguntas como, por exemplo, “Para que servem os números naturais?” Ou “Que funções eles desempenham?”


É importante lembrar que as brincadeiras, como: jogos de boliche, jogo de dados, bingo, trilha, jogos de tabuleiro, entre outros podem auxiliar o trabalho do professor em sala de aula para que os alunos avancem no sistema de numeração decimal.

1. SMOLE, K.C.S.; DINIZ, M.I “Ler e aprender Matemática”. In: SMOLE, K.C.S. e DINIZ,M.I. (orgs.). Ler, escrever e resolver problemas: habilidades básicas para aprender matemática. Porto Alegre: Artmed, 2001.